quinta-feira, 10 de abril de 2008

O passado e o presente da Gralha-de-bico-vermelho no PNAlvão: Acções práticas de conservação

Decorria o ano de 1983 quando, a 8 de Junho, foi publicado o Decreto-Lei n.º 237/83 que criou o Parque Natural do Alvão (PNAlvão http://portal.icnb.pt/) Situado na parte Norte de Portugal, na província de Trás-os-Montes e Alto Douro, no distrito de Vila Real, o Parque reparte-se pelos concelhos de Vila Real e Mondim de Basto, com uma área total de 7220 hectares.


Do total das 177 espécies que ocorrem regularmente no PNAlvão, e de acordo com a Valoração das Espécies de Vertebrados, realizada para o Plano de Ordenamento do PNAlvão, Resolução do Conselho de Ministros nº 62/2008, de 7 de Abril, obtida pela valoração do estatuto de conservação, estatuto biogeográfico, sensibilidade e estatuto regional, a Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), foi classificada como uma das três espécie mais valorizadas, conjuntamente com o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) e a Toupeira-d’água (Galemys pyrenaicus).


Considerando a importância dos valores de flora e fauna e a fragilidade de determinados habitats de montanha e a ocorrência de espécies raras, ameaçadas e endémicas, onde se enquadrava a Pyrrhocorax pyrrhocorax, em 8 de Setembro de 1993 foi publicada a portaria n.º 834/93, que cria duas zonas de interdição à actividade cinegética: a Zona de Interdição à Caça (ZIC) Fisgas/Vale da Fervença e a ZIC dos Morros Graníticos de Arnal. Sendo este ultimo, o local onde se encontrava e continua a encontrar, a área vital do núcleo populacional de Pyrrhocorax pyrrhocorax do Alvão. Assim foi implementada, na prática, a primeira acção de conservação para esta espécie no PNAlvão.


Desde 1991 que esta espécie tem sido observada no PNAlvão, sendo que, existem apenas observações pontuais, à excepção de um estudo mais sistemático realizado por Nascimento em 1996. Ao longo destes últimos 16 anos têm sido observados comportamentos que indiciam reprodução, nomeadamente: parada nupcial e cópula (1994), arranjo do ninho (1995), vestígio de criação na cavidade (1996), parada nupcial (1998), permanências no ninho (2006) e vestígios de restos de cascas de ovo junto ao ninho (2007). No entanto nunca foram encontrados quaisquer referências à observação de juvenis desta espécie, independentemente de haver ou não criação. Um facto importante é a existência de ninhos em dois locais diferentes. De acordo com o estudo realizado por Pereira (2006), foram obtidas informações junto de um pastor que confirmou que a espécie sempre utilizou estes locais para nidificar, bem como o hábito dos rapazes da aldeia recolherem os juvenis que iam nascendo.

De modo a contrariar a possível pilhagem dos juvenis desta espécie, numa acção conjunta entre o PNAlvão e o Laboratório de Ecologia Aplicada (LEA http://www.lea.web.pt/) da UTAD, foram desenvolvidos esforços no sentido de condicionar a acessibilidade a um dos locais de criação, através da colocação de um portão.


No decurso dos últimos trabalhos realizados sobre a Gralha-de-bico-vermelho na área do PNAlvão e outras áreas adjacentes (nomeadamente no Barroso), a falta de abrigos (de nidificação e de dormitório), através da sua degradação e/ou obstrução (pelo crescimento da vegetação) tem-se mostrado um dos factores, mais limitantes para a manutenção/crescimento da população desta espécie. Neste sentido, nos finais de 2007, o PNAlvão e o LEA, desenvolveram uma acção de limpeza da vegetação que obstruía dois cortes de exploração mineira abandonados, (numa área próxima mais ou menos 1 Km de um dos locais de nidificação) que apresentava condições propícias para a ocupação por parte deste espécie.











Com esta acção esperamos obter um aumento das condições de nidificação ou dormitório para a Gralha-de-bico-vermelho.


Paulo Barros

1 comentário:

isabelita disse...

Este blogue é muito interessante