Este projecto lançado pelo Laboratório de Ecologia Aplicada (LEA), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), pretende contribuir para um melhor conhecimento da população da Gralha-de-bico-vermelho no Noroeste de Portugal de forma a potenciar a sua conservação adoptando medidas que contribuam para o reforço do núcleo reprodutor e viabilizem a manutenção da espécie na área. Os objectivos definidos pela equipa do LEA centram-se no estudo e identificação de potenciais factores naturais e antropogénicos com influência na dinâmica populacional e etologia da Pyrrhocorax pyrrhocorax em áreas afectadas por alterações estruturais, ao nível do solo e agropecuária, de forma a definir medidas de mitigação a implementar no sentido de contribuir para a conservação da espécie


Equipa Projecto Gralha-de-bico-vermelho

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Domingo, 4 de Maio de 2008

Os abrigos de Islay

Aproveitando a participação no 2nd International Workshop on the Conservation of the Chough (Pyrrhocorax pyrrhocorax), realizado no Scottish Agricultural College, Ayr Escócia, que decorreu nos dias 13 e 14 de Setembro de 2007, eu e o Paulo Travassos rumamos para a ilha de Islay (61956 ha) a fim de observar algumas gralhas-de-bico-vermelho num habitat diferente do qual estávamos habituados a ver, nesta visita tivemos ainda a companhia da Maria Bogdanova (bolseira de pós-dotoramento), que trabalha com esta espécie na ilha e Anne Delestrade (Directora do Centre de Reserches sur les Ecosystèmes d’Altitude-CREA).
O número de pares reprodutores na ilha de Islay é aproximadamente de 60 e a população total é de cerca de duas centenas e entre o ano de 1982 e 2006 foram marcadas com anilhas de cor 1200 aves.

No decurso da nossa visita pela ilha fomos, observando grupos de gralhas-de-bico-vermelho e visitando alguns dormitórios existentes. Podendo estes, dividirem-se basicamente em dois grupos: os naturais e os antropogénicos.

De entre os naturais foi possível observar escarpas de afloramentos graníticos, e pequenas grutas junto ao mar provocadas pela erosão das ondas.
De entre
as antrópicas foram observadas construções antigas, como palheiros, armazéns e bunkers, construções modernas como por exemplo um telheiro (construído em metal) para guardar silagem e fenos.

Por fim, foram ainda observados construções antrópicas construídas com a exclusiva finalidade de potenciar locais de domitório/nidificação para esta espécie. Estas, não são mais do que pequenos palheiros construídos em madeira com duas aberturas a meia altura (tipo janelas) e poisos no seu interior. De referir ainda que os resultados da ocupação destas construções tem sido bastante satisfatória, havendo registos de ocupação por parte de grupos não reprodutores e por casais reprodutores.

Fotos: Paulo Travassos e Maria Bogdanova

Paulo Barros